Ludvig Gastroenterlogia Especializada

Esofagite Eosinofílica

Emoções

Por Joseinaide Maria Kuiava Chiarelli
Psicóloga

A Esofagite Eosinofílica é uma doença crônica, com uma notável progressão em sua incidência e prevalência nas últimas duas a três décadas. É uma patologia emergente com critérios diagnósticos e opções terapêuticas que demonstraram ser eficazes, sendo que o diagnóstico precoce é importante para prevenir complicações.

A doença crônica se caracteriza como um estado patológico permanente, que produz alterações psicológicas irreversíveis e requer um longo processo de reabilitação, observação, controle e cuidados. Essas doenças podem acompanhar durante muito tempo a vida de uma pessoa ou toda a sua vida e, neste último caso, não há cura, apenas tratamentos periódicos, tornando-se assim numa ameaça ao bem-estar e à qualidade de vida do paciente. Além da parte física, as doenças crônicas também apresentam efeitos emocionais e psicológicos que podem ser devastadores e até influenciarem o processo de tratamento.

Cada doença tem as suas especificidades, seja o número de horas que a pessoa tem de passar em serviços de saúde, as alterações na alimentação, o tempo recomendado de descanso, a possível ausência do trabalho, desconforto, menor rendimento, entre outras. Com isso as dificuldades emocionais da gestão da doença tendem a piorar.

A Psicologia contribui para ajudar esse paciente a manter equilíbrio e entender o funcionamento dos conflitos enfrentados devido a patologia vivenciada. É papel do psicólogo, oferecer ao paciente instrumentos terapêuticos para ajudá-lo a diminuir seu sofrimento e ter uma compreensão mais ampla sobre sua desorganização psíquica e encorajá-lo a criar novas possibilidades de enfrentamento.

Conviver com uma doença que não tem cura não deve significar render-se, abdicando de sonhos e objetivos. Por mais grave que uma patologia seja, por mais cruel o seu diagnóstico, o paciente precisa sempre contar com o acompanhamento psicológico em busca de um caminho menos doloroso. 

Ter uma doença crônica, muitas vezes, significa lidar de maneira muito direta com esse difícil conflito existencial. São situações de instabilidade psicológica e emocional, em que toda a equipe médica, o meio social e familiar exigem atenção do psicólogo. Nem toda doença crônica ocasionará efeitos traumáticos sobre a vida e o bem-estar dos pacientes. Mesmo que exijam cuidados constantes, alguns distúrbios provocarão sintomas mais brandos, sem afetar gravemente o indivíduo.

Outros casos já exigem um acompanhamento psicológico mais cauteloso. A própria depressão e o transtorno bipolar podem ser doenças crônicas ou, ainda, se manifestar em pessoas que sofram de outras patologias irreversíveis. Distúrbios que apresentem efeitos mais acelerados exigem bastante atenção para o emocional dos pacientes.

O psicólogo precisa, nesses casos, se aproximar do contexto do paciente e da família, contribuindo para seu entendimento existencial, para a aceitação de tratamentos possíveis e, até mesmo, para uma compreensão menos dolorosa de uma situação inevitável.

Ainda que cada reação às doenças crônicas seja única, alguns comportamentos são identificados com grande frequência. Ter que encarar um diagnóstico sem cura leva o paciente a refletir sobre aspectos muito complexos como sua própria existência, suas perdas e sua morte.

Diante desse quadro, ele pode disparar alguns mecanismos de defesa que o ajudarão a lidar com suas angústias. Alguns dos mecanismos mais comumente apontados são:

• Regressão: 
Algumas enfermidades afetarão a independência dos pacientes. Por consequência das doenças crônicas, pode-se necessitar de cuidados mais constantes. Nesses casos é comum o paciente assumir uma postura infantilizada, embarcando em um jogo de atenção e cuidados.

• Negação:
O mecanismo de recusa se apresenta, independentemente de terem ou não sintomas muito facilmente detectáveis. Negando o diagnóstico o paciente também recusará tratamentos, o que pode ocasionar uma progressão mais acelerada do seu distúrbio.

• Aceitação:
Aceitando seu diagnóstico, o paciente pode adquirir uma postura de investigação, explorando ao máximo os conhecimentos sobre a sua doença, sua condição pessoal e suas perspectivas. Esse mecanismo pode ser bem direcionado, mas precisa de atenção para que o paciente não adquira um comportamento obsessivo.

Perante esta situação, existem algumas questões fundamentais que ajudam a uma maior aceitação da doença e a uma maior procura de alternativas que aumentam o bem-estar do paciente:
• Procurar um médico com o qual se identifique e seguir o tratamento de forma adequada;
• Juntar-se a um grupo de apoio e assim perceber que não está sozinho com a doença e que há várias pessoas na mesma situação;
• Manter um exercício físico regular adequado à sua situação clínica, uma dieta equilibrada e cuidados preventivos, além do tratamento clínico;
• Manter-se ativo socialmente, permitindo a aproximação de familiares e amigos, e participar de atividades que promovam o bem-estar psicológico;
• Reconhecer e aceitar que, durante o tratamento, poderão haver dias bons e ruins;
• Lembrar-se sempre que as pessoas são muito mais do que a sua doença;
• Procurar apoio psicológico, mesmo quando se tem um bom suporte familiar e de amigos. A ajuda de um profissional de saúde mental pode ser necessária e também muitas vezes aconselhável para os membros da família que lidam com a doença de um ente querido.

“PRECISAMOS VIVER COM A DOENÇA CRÔNICA E NÃO VIVERMOS PARA ELA”.

 

Joseinaide Maria Kuiava Chiarelli é Psicóloga Clínica e hospitalar  com abordagem comportamental com o objetivo de auxiliar na busca da qualidade de vida, nos aspectos psicológicos, sociais e adesão ao tratamento, mediante quadro clínico.

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